OPINIÃO

Arcinélio Caldas Arcinélio Caldas

O voo solo

Imprimir
A+   A-

C apitão Gonçalves, homem de muitos afazeres, centralizador e voluntarioso, em época de campanha política passava mal bocado. Não era possível conciliar seu envolvimento com a agremiação partidária e ao mesmo tempo cuidar das fazendas de gado e cana, uma em cada canto do município.

Mas como ele próprio dizia: “Isto é uma cachaça”, acabava dando um jeito de cuidar de tudo sem comprometer a qualidade da tarefa.

Candidato a vice-prefeito municipal, incumbido de cabalar os votos da baixada da égua e do sul do município, nas divisas com São João da Barra, Macaé e Conceição de Macabu, vivia permanentemente em campanha.

Dia após outro, o capitão em suas andanças visitava os compadres e comadres em busca dos votos necessários à vitória nas urnas. Tomava um cafezinho aqui, comia um bolinho ali, palestrava acolá, sempre contando seus casos numa espécie de marketing pessoal, olho no olho, boca a boca, etc...

Certo dia, lá pelas bandas do Açu na casa do compadre Olivácio, atrasado para o leilão de gado na divisa municipal, o capitão almoçou e de boca cheia, levantou-se se despedindo dos anfitriões, ao que a comadre Clarinda observou: “Que é isso compadre, nem comeu direito e vai saindo? Isso não está certo não.” “Repara não comadre”, retrucou o Capitão. “Estou que nem mangangá, comendo e voando, voando e comendo, até outro dia”. 

 

* Artigo escrito por Arcinélio Caldas,
Poeta e cronista

VEJA TAMB√ČM

 

1 COMENT√ĀRIO

Nome: E-mail:
Cód. de Segurança:

* Publicação sujeita a moderação;
** Evite a utilização de termos grosseiros e xingamentos através de palavras de baixo calão;
*** Coment√°rios com conte√ļdo ofensivo e propagandas ser√£o devidamente ignorados.


Gabriela

Gabriela

Políticos...