OPINIÃO

Ranulfo Vidigal Ranulfo Vidigal

Mal estar na sociedade

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Diante de uma queda expressiva de 10% da renda per capita, que faz regredir o padrão de vida do brasileiro comum para níveis percebidos em 2008 devemos esperar uma década perdida – repetindo os fatídicos anos 1980.  Some-se a isso, a intensificação da Operação Lava Jato com seus efeitos deletérios sobre o investimento e a geração de empregos na Construção Civil e nas Indústrias Naval e do Petróleo. 

Vivemos tempos de abertura de novas fronteiras de acumulação capitalista e o Brasil oferece excelentes alternativas no agronegócio, energia renovável, óleo e gás.
Diante disso, as elites políticas e empresariais brasileiras repetem o script das ‘saídas por cima’ e buscam um “pacto” para estancar a crise que dá sinais claros de incremento do desconforto em todas as camadas sociais e sintomas de crescente contingente de manifestações de rua.  Lucros em queda, empregos escassos, preços salgados, crédito contido e falência do modelo político estão na ordem do dia.

Nesse contexto, o Brasil vive um processo político de radicalização e polarização, sem dúvida. É uma radicalização porque há um partido que ganhou e não consegue governar, e uma oposição que tem sua agenda de propostas para a superação da crise, mas não detém condições de alçar o controle das políticas públicas. Um lado não tolera o outro, não há espaço de negociação ou diálogo. É uma clara disputa de poder. No meio disso, também existe uma polarização de caráter ideológico.

A agenda conservadora aposta na redução dos direitos trabalhistas e previdenciários, na livre negociação entre capital e trabalho, na desindexação do salário mínimo, na simplificação tributária reduzindo impostos sobre atividades produtivas, no encolhimento dos programas sociais, no corte dos gastos públicos, no Banco Central independente e na abertura completa, tanto do comércio externo, quanto nas finanças. 

A crise geral só vai recuar com o fim da intolerância e dos ressentimentos e com a introdução do diálogo na busca de saídas críveis e compatíveis com a correlação de forças políticas vigentes na nossa sociedade.

* Artigo escrito por Ranulfo Vidigal,
Economista, mestre e doutorando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pelo IE/UFRJ

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