OPINIÃO

Sileno Martinho Sileno Martinho

Brinquedo nada inocente

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Continuamos com a saga de mais um BBB, o décimo sexto, onde o formato se repete há décadas num ambiente de puro exibicionismo onde o comportamento dos participantes são expressões das mazelas sociais,  pois positivo no programa é manipulação dos sentimentos, o certo confundido com o errado e no fim a vitória junto com os milhões caminhará ao lado do mais ardiloso.

As tentativas de sedução, as estratégias para obter aliados, o jogo de intrigas e traições além da ganância, evidenciam a figura do anti-herói e nesta arena os sinceros são indesejáveis e primeiros a sair, banidos pelo público, que em última análise é quem paga a alta conta do programa, um dos mais rentáveis da emissora. Ser correto é o pior que pode acontecer! 

Apesar de todo aparato e milhões de telespectadores, programas deste gênero em nada contribuem para a formação de uma sociedade mais lúcida e consciente. Então fica a pergunta: por que ainda é sucesso? Existem três razões básicas. A primeira é o culto ao corpo. Cenas picantes em trajes sumários de conteúdo erótico sejam no banheiro, na piscina ou em ângulos estratégicos mexe com o imaginário popular.  A segunda é que existe uma neura curiosa no ser humano. Uns utilizam esta vertente para fantásticas descobertas, outros para simplesmente bisbilhotar a vida alheia.  A terceira é a lucratividade do programa pelo grande incentivo a participação do público, que age movido por simpatias e antipatias.

Um dos aspectos mais inquietante no BBB é que não existe espaço para laços afetivos ou relações verdadeiras, pois bom mesmo é ser o vilão. Triste é constatar que somos uma sociedade que aceita com naturalidade a vilania por dinheiro, pois desejável é que fórmulas inventadas que atingem públicos de todas as classes sociais deveriam  estimular mudanças para ajudar na formação de um novo cidadão e não incentivar falsas relações. Respeito quem gosta deste gênero de programas,  mas particularmente acho que eles podem até ser um brinquedo, mas não é nada inocente! 

 

* Artigo escrito por Sileno Martinho,
Professor e Consultor

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