COLUNA

Gustavo Viana SAÚDE

Câncer, nosso inimigo íntimo

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Lembro-me de ter escrito algo sobre o assunto com os amigos leitores do Jornal Quotidiano, na época em que o ator Reinaldo Gianecchini foi acometido por esta doença no ano de 2011. Naquele momento, lembro de ter explicado como ocorre o processo cancerígeno, desde o início até a metástase (processo pela qual as células cancerosas migram para outras partes do corpo). Desta vez, venho aqui informar sobre novas descobertas acerca da doença, tratamentos...

Antes de qualquer coisa é importante salientar que todos nós, sem exceção, temos em nosso código genético o gene cancerígeno, os chamados proto-oncogenes que ficam ali, adormecidos até que uma divisão celular ocorra de forma errada, ativando-os assim e iniciando o processo cancerígeno. As células cancerosas primárias em formação têm a peculiaridade de promover a chamada angiogênese, formação de novos vasos, para sua exclusiva nutrição e futura migração. Esta particularidade é essencial para o processo metastático. Talvez esteja nesse componente, a metástase, o limiar entre a vida e a morte. Quando as células do câncer migram para outras partes do corpo fica quase impossível controlar a doença, tendo em vista a enorme fome que estas células possuem. 

Na grande maioria dos casos, o indivíduo vem a óbito devido à falência nutricional das células sadias. Por essas características, de promover a angiogênese, retirar das células sadias o fator nutricional, e reverter para si própria esta nutrição, é que alguns pesquisadores batizaram as células cancerosas de “células famintas”.

Mas deixando de lado o mecanismo ativador do câncer, vamos para algumas informações importantes. Segundo o oncologista e pesquisador Jarle Breivik, devemos mudar o foco em relação às pesquisas relacionadas ao câncer. Para o médico norueguês, devemos aceitar a doença e aprender a conviver com ela, procurando sim, melhorias para a qualidade de vida dos pacientes com a doença. “Procuramos a cura para este mal desde a década de 50 e, até hoje, mesmo com os avanços tecnológicos e com a sobrevida cada vez maior dos pacientes, não temos ainda a cura total para o câncer. E talvez nunca tenhamos, já que o câncer é parte de nós. Talvez necessitamos redirecionar nossas pesquisas, a fim de promover para os pacientes acometidos, uma melhor qualidade de vida” disse ele.  

O que Breivik propõe acima é bastante pertinente. É quase que unânime a ideia entre os pesquisadores, inclusive Breivik, de que entraremos a partir deste ano, numa epidemia de câncer. Por quê? Ora, se o câncer é o resultado de divisões celulares e a cada momento acontece essas divisões em nosso organismo, isso tudo somado ao aumento da expectativa de vida, o resultado é pura matemática: aumento de casos da doença. Aliada a isso, ocorre no momento, uma diminuição dos casos de mortes por doença do aparelho circulatório, como as cardíacas e os AVEs.  Essas, diferentemente do câncer, dependem quase que exclusivamente do nosso estilo de vida. Sendo assim, não seria mais interessante nos atentar para a qualidade de vida dos pacientes acometidos pelo câncer?

Apesar da cura ainda não ter sido encontrada aconteceram ao longo do tempo importantes descobertas. Por exemplo, o tratamento cirúrgico apesar de recorrente, está cada vez mais preciso. Alguns tumores, quando detectados precocemente são retirados de forma milimétrica antes do tratamento com quimioterapia e radioterapia. Apesar de ser um tratamento indesejado, tanto a quimioterapia quanto a radioterapia são aliadas importantes da medicina oncológica para evitar o processo de crescimento e migração do tumor.  Já no quesito medicamento, em 2011 foi aprovada no Brasil a droga vemurafenibe, muito eficaz no tratamento do câncer de pulmão e do melanoma, forma agressiva de câncer de pele. Há também, novas drogas para o controle do câncer de mama, como o trastuzumabe. 

Por fim, quando falamos sobre câncer não podemos deixar de sinalizar sobre a prevenção. Mesmo sabendo que o processo cancerígeno desenvolve-se, muitas das vezes, por puro “azar”, sabemos que fatores externos como o fumo, abuso do álcool, sedentarismo e má alimentação estão diretamente ligados à doença. Mesmo com novos arsenais trabalhando na luta contra o câncer, não podemos nunca deixar de prestar atenção nesses fatores externos e torcer, para quem sabe um dia, podermos vislumbrar um horizonte livre deste mal. 

* Coluna escrita por Gustavo Viana,
Gustavo Viana é graduado em Fisioterapia pela UNESA e pós graduado em QSMS (Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde) pela Castelo Branco

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1 COMENTÁRIO

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Eliane

Eliane

absurdo que eu e varias pessoas tenham que esperar abrir vagas pra fazer ultrasonografia principalmente de mama em plena campanha,estou indignada..............