OPINIÃO

Edevigens Cardozo Edevigens Cardozo

Perda Política

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Aqui em Brasília, as especulações borbulham sobre quem vai assumir a vaga de candidato a presidente no lugar de Eduardo Campos. Analistas dizem que o PSB não deve indicar a ex-senadora Marina Silva. Também não se sabe se ela aceitaria assumir, já que os projetos são diferentes, e só mesmo Campos conseguiu conduzir a inusitada aliança com a Rede.

Especula-se, também, se a morte de Campos pode mudar o panorama político em alguns estados onde os socialistas aparecem com alguma chance. Queiram ou não, o acontecimento vai ser usado. Afinal, a maioria dos políticos não tem a postura do candidato morto. A tragédia de Eduardo Campos, que chocou a todos, encerra de maneira prematura uma carreira política que se anunciava como novidade no país. Ainda não tinha uma opinião formada sobre ele como candidato à presidência, apesar da grande admiração pelo avô, Miguel Arraes, um dos maiores políticos brasileiros.

A morte de Campos é lamentável sob todos os pontos de vista. Traumas para a família, marcas profundas nos cinco filhos e na mulher, companheira de sempre. E a política perde feio, muito feio. O acidente repercutiu com grande força. Perplexidade é o sentimento geral. Deputados, senadores, governadores, personagens de todos os partidos e a presidente Dilma se manifestaram com pesar.

Logo, incrédulos de sempre começaram as críticas, dizendo que político é tudo igual, e por aí vai. Para muitos, Eduardo Campos não teria chance alguma de ser eleito presidente do Brasil, o que nunca vamos poder comprovar. Mas há que se destacar a trajetória de um jovem que permaneceu no mesmo partido por longo tempo. Foi secretário de estado, deputado estadual , federal e governador de Pernambuco por duas vezes. Era legítimo que quisesse ser presidente. Campos foi uma tentativa de oxigenação que a política brasileira teve. Não representava coronéis que ainda resistem na região Nordeste, nem tinha a imagem desgastada de velhos políticos, ou de figuras que apesar de novas, são a cara do atraso.

Em cada canto o Brasil precisa se renovar na política. A trajetória de Eduardo Campos mostra isso com muita clareza. Ele nos deixa a semente de um novo pensar o Brasil e a certeza de que ninguém aguenta mais Garotinhos, Maias, Malufs, Crivelas e Bolsonaros. É isso.

* Artigo escrito por Edevigens Cardozo,
Jornalista, foi editor na Rede Globo e na Record, esteve como secretário de Comunicação de São João da Barra. Atualmente trabalha em Brasília.

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